“Desencontros”

14 05 2008

ELE

 Sentado à beira da estrada com o olhar vago, perdido em pensamentos. As gotas da chuva escorrem em sua face disfarçando sua aparente tristeza e trazendo a tona lembranças que ele preferia esquecer. Era como se a noite quisesse recriar as melhores horas de sua vida, mas tivesse esquecido o maior de todos os detalhes.

 

ELA

 São 23h00min de uma noite de sábado e ela está sentada na sala escura fazendo um tour pelos canais de TV enquanto a chuva cai lá fora. Seus olhos estão vidrados na TV, mas sua mente perde-se nas lembranças de uma semana atrás, enquanto as lagrimas escorrem em seu rosto revelando-lhe o gosto salgado do arrependimento.

 

AS LEMBRANÇAS

 Faltavam poucos minutos para a meia noite, ele havia conquistado-a com seu jeito sincero e seu olhar sonhador. Quem diria… Justo ela, a garota que só quer saber de “curtir a vida a doidado”, aquela que nada tinha a ver com o garoto sonhador que idealizava um amor sincero. Foi na volta para casa, em meio a vozes com tom de discussão que tudo começou…

- Isso nunca daria certo você é bom demais pra mim, e nós não temos nada a ver um com o outro!

- Quem decide se você é a pessoa certa pra mim sou eu!

- Caramba, será que você não entende… No final você vai acabar se machucando.

-Pra final de conversa eu não sou nenhum brinquedo que pode se quebrar e mesmo você dizendo que não eu posso ver o “sim” pintado na sua testa. Você só esta tentando arrumar desculpas que possam disfarçar seu medo de amar.

 A primeira gota de chuva toca o rosto da menina que se manteve na defensiva o tempo todo, fazendo-o perder o raciocínio, até que de gota em gota o céu parece desabar sobre os dois.

-Que se danem as conseqüências! Foram as ultimas palavras que escaparam de sua boca em tom de sussurro.

 O mundo parecia ter parado, o único som que se ouvia era o som da chuva que limpava a incerteza no rosto da menina que agora deixava transparecer seus sentimentos em um beijo banhado pelo céu…

 

ELE 

-Ela realmente tinha razão, no final eu acabei me machucando.

 As ulti mas gotas de chuva caiam e o frio começava a tomar conta de seu corpo, tornando-se sua única c ompanhia na volta para casa.

 

 ELA

 O frio é praticamente insuportável, o ar parece fugir de seus pulmões devido ao cansaço após correr pelas ruas de pés descalços. Mas ao ver que havia demorado demais para se decidir, a primeira gota escorre em sua face, lembrando-lhe o quão salgado é o sabor do arrependimento.

 

 

Por: Gleydson Emanuel