
Sempre busquei estar rodeado de amigos, mas o engraçado é que hoje em meio aos velhos amigo sinto-me um peixe fora d’água, enquanto eles nadam no mesmo velho aquário redondo de sempre…
Nunca me imaginei vivendo o papel de peixinho dourado… O aquário nunca me deu o que queria, eu precisava de oxigênio. Sair da proteção e da aparente segurança por trás das paredes de vidro foi difícil no inicio, mas com o tempo criei marra e aprendi a me virar sozinho.
Varias vezes pensei em voltar para as águas do aquário, mas a sensação de poder respirar o oxigênio é tão víciante que quanto mais você enche os pulmões maior é a vontade de seguir naquele rítimo gostoso do inspira, expira, inspira, expira…
Depois de algum tempo conheci passarinhos que me ensinaram a voar! Passei a andar em bandos e voar cada vez mais alto.
As vezes bate uma saudade dos peixinhos coloridos com os quais cresci e mergulho em seu encontro para tentar relembrar como era viver em meio a peixes, mas a monotonia do aquário, a falta de animo dos peixes e a ausência de oxigênio, são coisas com as quais não consigo mais me acostumar. Meus amigos hoje são pássaros que voam alto e minha vontade é voar também.
Num desses momentos em que navegamos à deriva pela rede encontrei o seu Blog. Li alguns dos seus textos e encontrei alguns que me relembraram sentimentos pelos quais já passei. Esse seu post “Fora do aquário” remeteu-me a uma leitura mais aprofundada de “O patinho feio”: um dos famosos contos infantis do dinarmaquês Hans Christian Andersen. Nesse conto o “patinho feio” é desprezado pela sua mãe, seus irmãos e todos os que o acham “feio” quando na verdade ele era apenas diferente de todos os outros patos. Ele sempre foi visto pelo olhar do outro como “feio”, “estranho” e acabou internalizando a idéia de era uma aberração simplesmente por não ser como todos os outros patos. O patinho passou por maus momentos por causa da sua não aceitação e até tentou se adequar ao modo de vida dos patos. Até sabia nadar como todos os outros patos e nadava com eles no mesmo lago ou “aquário” como no exemplo do seu post, mas como era diferente não conseguiu se adaptar e ser aceito pelos patos e se viu infeliz e sozinho. Por muito tempo o patinho viveu isolado depois de ter sofrido rejeição por ser diferente de todos os outros patos. Certo dia o “patinho feio” encontrou um grupo de cisnes que voavam alto e teve um estranho sentimento de pertença àquele grupo, mas isso não podia ser, afinal era apenas um “patinho feio” e não poderia voar tão alto e nem poderia ser bem aceito naquele grupo de cisnes tão majestosos. Tamanha foi a surpresa quando os cisnes acolheram bem ao “patinho feio” que feliz pela aceitação se viu refletido no espelho d’água do lago e descobriu que não era um pato e sim um belo cisne como os seus iguais.
Muitas pessoas ainda vivem como “Patinhos feios” nesses pequenos mundos denominados “lagos” ou “aquários” em busca de aceitação ou sentimento de pertença a um grupo. Alguns mesmo sendo cisnes tentam se adaptar ao modo de vida pré-estabelecido para os “patos”, outros tantos, mesmo vivendo infelizes tentam se encaixar nesse modelo, muitos outros se conformam que a felicidade é uma coisa apenas para os “patos escolhidos” que se encaixem num modelo pré-estabelecido pela sociedade em que vivem. Poucos são aqueles ditos “patinhos feios” ou diferentes que descobrem que são cisnes majestosos e são felizes. A maioria desses “patinhos feios” de tanto ouvirem da multidão que são feios ou aberrações da natureza acabam internalizando isso e se sucumbem à infelicidade de uma “vida de patos” quando na verdade são cisnes lindos e podem ser felizes sendo eles mesmos. Hoje sou um cisne lindo e vivo feliz, mas a turba sempre quis desde muito cedo incutir em minha mente que eu era um “Patinho feio” que devia se adequar ao modo de vida pré-estabelecido para os “patos”. Não tentei me encaixar ao modelo pré-estabelecido para os “patos”, pois o meu espelho interior me fez enxergar que eu não sou “pato” e sim um cisne e sou muito feliz com a minha essência. Muitos “cisnes” passam a vida toda vivendo como “patos”, preferem o comodismo de aceitar o modelo pré-estabelecido pela sociedade para os “patos”, tentam se encaixar no modo de vida dos “patos” e nunca se descobrem cisnes. São como os “peixes decorativos” que preferem a falsa sensação de pertença a um grupo vivendo em pequenos aquários decorando o olhar alheio e nunca descobrem que podem ser felizes nadando em rios ou oceanos junto com outros peixes de sua mesma espécie.
Grande abraço!